> Trecho da reportagem de capa
de ÉPOCA desta semana 16/10/2017. - Entre maio de 2009 e março de 2010, a conta corrente do coronel do Exército Odilson Riquelme no Banco do Brasil, recebeu dois cheques no valor total de R$ 37.373. Os depósitos se repetiram nos meses seguintes. Os cheques foram emitidos pela empresa Sequipe, prestadora de serviços de quimioterapia ao Hospital Militar de Área de Recife (HMAR), onde Riquelme cuidava dos contratos. Os valores equivaliam a 10% dos pagamentos feitos à Sequipe pelos contratos com o hospital. Os investigadores do Ministério Público Militar (MPM) descobriram o esquema após denúncia de um ex-funcionário. Confirmou-se que o dinheiro – R$ 205 mil no total – havia sido pedido à empresa pelo então diretor do HMAR, coronel Francisco Monteiro. Ele alegou que seriam “doações” para o hospital. Mas cheques obtidos pelos investigadores mostraram que o dinheiro acabou em contas correntes dos militares e de pessoas ligadas a eles, não no caixa do hospital.
O caso do coronel Riquelme está longe
de ser uma exceção nas Forças Armadas Brasileiras. Embora persista o mito de
que os militares são mais honestos do que os civis no trato com a coisa
pública, não há evidência empírica disso. Tanto militares quanto civis desviam
recursos públicos, fraudam licitações, pedem e recebem propina. Não há estudos
que indiquem qualquer distinção entre a escala de corrupção nos mundos civil e
militar. Pelas teorias mais recentes na literatura sobre corrupção, duas
coisas, em especial, tendem a aumentar as chances de tunga aos cofres públicos:
oportunidades para roubar e a percepção de que não haverá punição. Ambas
existem, no Brasil, entre militares e civis. Estes não são especialmente
desonestos. Aqueles não são especialmente probos.
Revela a publicação numa extensa
matéria sobre o assunto, inclusive com riqueza de detalhes envolvendo a cúpula maior
das forças armadas ‘nacionais’.
Registros da Procuradoria-Geral de
Justiça Militar, obtidos com exclusividade por ÉPOCA, expõem os abusos com
dinheiro público nas Forças Armadas. São 255 processos pelo crime de peculato
(desvio de dinheiro público em proveito próprio) e 60 por corrupção ativa ou
passiva – todos abertos nos últimos cinco anos. Sim, também há corrupção no
Exército, na Marinha e na Aeronáutica. O material foi remetido ao Tribunal de
Contas da União (TCU); investigadores da Corte estão destrinchando
irregularidades encontradas nas três Forças, com prejuízos milionários aos
cofres públicos. Os casos restringem-se a danos ao Erário superiores a R$ 100
mil. ÉPOCA teve acesso à documentação do processo sigiloso do TCU e traça nesta
reportagem um panorama de casos detalhados envolvendo militares. Por > MM Souza. Fonte: Brasil 247.
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